01 set Setembro Amarelo: quando a pressão do trabalho também pesa na saúde mental
O Setembro Amarelo amplia a conversa sobre saúde mental, prevenção ao suicídio e valorização da vida. O sofrimento emocional pode estar relacionado a diferentes situações, como problemas familiares, dificuldades financeiras, perdas, doenças, violência, solidão e outras experiências que atravessam a vida. Em alguns casos, as condições de trabalho também fazem parte desse cenário.
Para trabalhadores de hotéis, bares, restaurantes, cozinhas industriais, condomínios, imobiliárias e salões de beleza, essa reflexão merece atenção. Pressão de clientes, equipes reduzidas, jornadas intensas, trabalho noturno, fins de semana ocupados e períodos de maior movimento podem tornar a rotina mais desgastante.
Quando a pressão não termina com o expediente
Em muitos setores representados pelo Secohtuh, os horários de maior movimento acontecem justamente quando boa parte das pessoas está descansando. Noites, fins de semana, feriados, temporadas de férias, festas e eventos podem significar aumento da demanda e um ritmo mais intenso de trabalho.
Em hotéis, bares e restaurantes, por exemplo, a lotação pode elevar a quantidade de atendimentos e aumentar a cobrança por rapidez. Nas cozinhas industriais, é preciso cumprir horários e preparar um grande volume de refeições. Nos condomínios, há serviços que precisam continuar funcionando durante as 24 horas do dia. Já em salões de beleza, datas comemorativas e períodos festivos podem concentrar muitos atendimentos em pouco tempo.
Quando há trabalhadores suficientes, organização, respeito aos intervalos e divisão adequada das tarefas, esses períodos podem ser administrados com mais segurança. Mas, quando a equipe está reduzida, a cobrança é excessiva e o descanso não é respeitado, a pressão pode acompanhar o trabalhador mesmo depois do fim do expediente.
É importante lembrar que nem todo sofrimento emocional nasce no ambiente profissional: cada pessoa tem sua história, seus relacionamentos, suas preocupações e suas dificuldades. Ao mesmo tempo, também não é correto tratar a saúde mental como uma responsabilidade exclusivamente individual. Não basta dizer ao trabalhador que ele precisa descansar, organizar melhor a rotina ou “aprender a lidar com a pressão” quando existem problemas nas condições em que o trabalho é realizado.
As Convenções Coletivas das categorias representadas pelo Secohtuh estabelecem regras relacionadas a jornada, intervalos, trabalho noturno, escalas, folgas e trabalho aos domingos e feriados. Essas garantias não tratam apenas do pagamento: elas também ajudam a proteger o tempo de descanso e a recuperação do trabalhador. Quando jornadas, intervalos ou folgas não são respeitados, o trabalhador pode procurar o sindicato para esclarecer seus direitos e receber orientação.
Onde buscar ajuda?
Quem está passando por sofrimento emocional pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
Em situações de urgência, é possível procurar uma UPA 24 horas, pronto-socorro ou hospital, além de acionar o SAMU pelo número 192.
Outra possibilidade é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso. O atendimento pelo telefone 188 é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias.
Neste Setembro Amarelo, o Secohtuh reforça que falar, ouvir e buscar ajuda faz diferença. Também lembra que reconhecer os impactos das condições de trabalho e cobrar mudanças necessárias faz parte da proteção à saúde. Nenhum trabalhador deve ser responsabilizado sozinho por um desgaste produzido por jornadas excessivas, falta de pessoal, pressão constante ou desrespeito aos seus direitos. Você não está só!